sábado, 8 de dezembro de 2012

33 - Bem me quer... Mal me quer...

  Já na escola, Leila e Renato se separaram após chegarem juntos. Ela por que encontrou as amigas, ele por que foi direto para sua rotina de chegar sem olhar para nada nem ninguém e ir logo sentando na sua carteira, fugindo da realidade até o início da aula.
  E o dia passou, Ela se sentou longe dele, nem ao menos se falaram mais neste dia. Retornando para casa, Renato só tinha Esdras como sua companhia. "Estou começando a achar que aquilo foi um sonho. Imagina, uma garota, uma mulher daquelas gostar de um esquisito como eu. Só em sonhos mesmo".
  Esdras respondeu com firmeza. "Por mim aquilo não foi sonho não. Pareceu tudo muito real para mim".
  "Mas você viu como ela agiu hoje o dia inteiro. Mal nos falamos na hora do café da manhã, ela nem se preocupou de sentar perto de mim. Não a culpo nem nada, muito menos estou reclamando. Ela faz o que bem entender, não tenho nada a ver".
  Esdras ficou em silêncio. Renato puxou fundo o ar e soltou-o em um suspiro mais profundo ainda. A expressão facial dele estava diferente do comum, estava mais pensativo, mais triste talvez. "Você ainda gosta dela, não é mesmo?"
  Renato deu de ombros. "Bem, não. Não só gosto dela. Eu... eu acho que a amo".
  "Acha? Como assim você 'acha' que está amando? Ou está ou não está, é fácil perceber a diferença um do outro".
  "Sei lá... Para começar, não paro de pensar nela, sempre que estou perto dela sinto uma palpitação aqui no meu peito. O coração acelera, o sorriso se fixa e não consigo tirar os olhos dela. Ah, como é linda. Ah como eu a desejo. Mas... por outro lado..."
  Esdras estranha a quietação de Renato. "...por outro lado, nós quase não conversamos um com o outro. Apenas ficamos, realmente perto um do outro conversando como amigos, ontem a tarde. SÓ, em mais nenhum momento. Não sei como se ama alguém em tão pouco tempo. Mesmo que haja destino e o meu seja estar junto com ela, as coisas não acontecem tão rápido assim". Ele suspirou mais uma vez enquanto Esdras apenas o encarava. "Não sei o que faço. Tentar me aproximar pode ser arriscado demais, afinal, eu sou dado como 'estranho' por muitos. Mas se eu não fizer algo, talvez ela pense que eu não queira nada". Esdras apenas o observou. "Dane-se, pensem o que quiser, não to nem aí".
  "Ao menos tomou uma decisão". Esdras diz com um sorriso.

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