É chegado a noite. Renato espera do lado de fora do teatro pela sua acompanhante. Seu coração está acelerado. Nervoso? Muito. Qualquer pessoa que olhe para ele vê que está nervoso com algo, mas só ele sabe o por que. Só ele? Não. Esdras também sabe.
"Acalme-se. Tudo vai dar certo. Confie em mim"
Renato permaneceu em silêncio. Esfregando uma mãe na outra e suando, apesar dos 12°C que faz em São Paulo. A chuva fina cai do céu enquanto sopra uma leve brisa em seu rosto. Será que até a natureza está tentando acalmá-lo? Afinal, se for obra do destino, não há quem atrapalhará.
Cinco minutos depois, chega um carro. É um Ford Landau preto com detalhes em cromo. Um homem com traços de velhice, mas com aparência de poderoso está dirigindo. Ao estacionar, não demora muito até que o passageiro saia do carro. Digo... A passageira. É Leila, e ela está linda, mais linda do que o de costume. Ela usa um vestido longo preto com um salto. Isso deixou Renato sem ação. Admirado e sem piscar, ele procura o bolso traseiro a procura da carteira para pegar os ingressos, mas acaba tendo dificuldade, pois fica admirando sua acompanhante. Ah, as mulheres, elas causam esses efeitos nos homens.
A peça se passou rápido, nada mais que uma hora. Porém, Renato não via o momento de sair de lá, não por causa da peça, dela ele estava gostando, mas ele queria que o tal momento chegasse logo para que toda aquela pressão sobre ele sessasse.
Ele está suando frio, pensando se ela realmente o quer.
Leila está sentada na poltrona vizinha à dele, mas ela nem sequer imagina o que se passa na mente dele. Ela nem quer pensar nisso, ela só quer aproveitar o momento. O braço dele está passando por trás dela, ela está com a cabeça apoiada sobre o ombro dele e segurando com as duas mãos a mão esquerda dele que está próximo do ombro esquerdo dela. Cena típica de casal em cinemas, restaurantes...
Finalmente o fim. As cortinas se abaixam, as luzes se acendem, os atores fazem o último cumprimento ao público.
Renato fica olhando para os lados, as mãos dele não param de se mexer, a perna não consegue ficar parado. Enfim, definitivamente tava na cara que ele estava ansioso. "Vamos para fora?" ele perguntou.
"Por que não?" e eles foram. Ficaram na porta do teatro. Por enquanto, estava vazio, um lugar aparentemente perfeito para que ele possa se declarar para ela.
"Olha, Leila... E-eu sinceramente não sei como te dizer..." Ela fica curiosa, sem sequer saber do que se trata. "Eu quero lhe dizer isso já faz um tempo, mas nunca soube como te dizer... Bem... lá vai..."
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