Os olhos dele encheram-se de lágrimas. A luz forte em sua face refletia nas gotas que rolavam em seu rosto. Suas mãos tremiam, tremiam tanto que mal conseguia segurar o seu celular sobre a face. Era uma noite chuvosa, fria madrugada de julho em São Paulo.
Nesse momento, imagens dela lhe passava pela cabeça. Todos os momentos em que passaram juntos desde aquela manhã no colégio, quando ele, como sempre, ficou após a aula arrumando seus pertences, sozinho, até lhe veio ela apenas para conversar, conhecê-lo. Aqueles olhos castanhos, profundos e misteriosos, como se escondesse algum segredo. Aqueles cabelos castanhos lisos, porém, que se encaracolavam no fim como uma estrela do cinema. Uma boca que escondia segredos e prazeres jamais revelados, uma boca vermelha por natureza, como se houvesse sangue derramado em seus lábios. Lembra de noites viradas conversando com ela, apenas de calcinha e uma camiseta dele, sentados em sua cama. Tardes inteiras deitados na cama jogando conversa fora. Lembra da praia que ela o levou. Brigas que duravam menos de cinco minutos.
A cada segundo que se passa, a cada lembrança que lhe vinha a mente, era uma lágrima a mais em sua face. "Eu não acredito. Não consigo acreditar" pensa Renato. "Isso só pode ser um pesadelo. Isso não pode estar acontecendo. Não comigo. Não agora".
Renato senta-se na cama num pulo. Tremendo ainda. Digita, com dificuldade, no seu celular.
"Isso só pode ser um pesadelo. Diz para mim que é um pesadelo, uma brincadeira sua. Diz que você ainda me ama e que foi só um trote seu para podermos rir no futuro. Diz, por favor, que isso não está acontecendo, não de verdade".
"Isso só pode ser um pesadelo. Diz para mim que é um pesadelo, uma brincadeira sua. Diz que você ainda me ama e que foi só um trote seu para podermos rir no futuro. Diz, por favor, que isso não está acontecendo, não de verdade".
Sua boca treme enquanto rega seu lençol com suas lágrimas.
"Infelizmente é verdade. Queria que não fosse, mas está mesmo acontecendo. Me perdoe, mas a verdade é que a magia acabou. Aconteceu há um tempo, achei que fosse besteira minha, uma fase, que passaria logo. Mas passou-se dois meses e nada, esse sentimento (ou falta dele), de que não te amo mais permaneceu. Espero que um dia possa me perdoar."
Renato lê. Sua visão está embaçada por conta das lágrimas. Ele só conseguiu responder uma coisa para ela. "Estou chorando aqui".
"Eu também. Acredite, está sendo mais doloroso para mim do que está sendo para você".
Ele nada responde. Foca ali, imóvel olhando para a tela brilhosa de seu celular. Triste. Derrotado. Derrotado por si mesmo. Sem palavras, sem ação a não ser chorar.
A madrugada seguiu, sem nenhuma resposta de Leila. O sono se exilou de seu corpo. Renato ficou até o raiar do sol sentado em sua cama. Imóvel e no silencio, exceto pela sua voz e a de Esdras.
"No fim, Esdras, você estava certo. Eu devia ter aberto os meus olhos antes. Talvez seria melhor para mim".
"Lembre-se do que eu te falei" disse Esdras apoiando uma de suas mãos no ombro de Renato. "Eu estarei sempre contigo. Já vivi muito, e posso lhe dizer que é normal passar pelo o que você está passando, afinal, como saberemos o que é felicidade sem conhecermos a tristeza. Faz parte da vida. Eu estou aqui para te proteger. Então, não se preocupe, pois eu sei o que é bom para você".
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