sábado, 5 de maio de 2012

2 - Confissão

  O garoto abaixa a cabeça esperando uma resposta. O homem alto, vestindo um sobretudo marrom e chapéu anda pelo quarto, dizendo: "Apenas você me vê sim, Renato. Apenas você pode me ver, me ouvir, me tocar." A voz rouca característica faz com que uma expressão de alívio transparece em Renato. "As pessoas devem me achar louco por estar falando sozinho". "Nem tanto", disse o homem, "Quando você fala diretamente comigo, apenas eu percebo você falando, para os outros humanos comuns, você só está... pensando".
  Renato ficou inquieto, já não sabia mais de nada, não sabia nem o que saber. Para ele, uma guerra de ideias se iniciou em sua mente. O que era aquele homem? O que eu sou? Por que ele me acompanha? Realmente não havia respostas para Renato. "Quer dizer que você não é real, é apenas fruto da minha imaginação?" O silêncio se instaurou no ambiente por alguns segundos.
  Gritando com raiva para o seu "Amigo imaginário", Renato procura respostas imediatas. "QUEM É VOCÊ?!?".
  O clima do local torna-se pesado, o escuro melancólico parece aumentar com toda cena decorrente. O suor frio escorre com toda aquela tensão em Renato, que fica apreensivo.
  "Você não deve nem imaginar desde quando eu te acompanho, não é mesmo?" - Silêncio - "Bem, tudo começou quand..."
  Alguém bate desesperada e insistentemente na porta, a campainha ajuda a criar um clima aterrorizante no ambiente, a curiosidade de saber quem é toma conta de ambos, uma vez que nem mesmo o carteiro faz esta ação.
  A maçaneta de ferro gelada e enferrujada gira... o rosto, ele é... ELA é... Não pode ser!

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