A alguns quilômetros do local do sequestro, um homem de terno olha pela imensa janela de seu escritório, admira a cidade. Está chovendo, mas chovendo fraco, o bastante para deixar uma fina camada de água escorrendo no vidro.
"Senhor..." alguém chama-o enquanto abre a porta, o homem apenas vira um pouco o rosto, olhando de lado para a porta. "Tem três moços querendo vê-lo, dizem que é muito importante".
"Tudo bem, obrigado Arthur, diga a eles que logo descerei".
"Sim senhor" e sai.
Alguns minutos depois, o Homem bem vestido chega no saguão e encontra os três homens. "Conseguiram?". Um deles dá um passo à frente e responde positivamente, e chama para irem para fora, onde o carro estaria estacionado. Ao chegar lá, abre a porta traseira e lá estava uma moça vendada, amordaçada e com as mãos amarradas, mas desacordada. "Tirem tudo!" ordenou o granfino, e assim foi feito por um dos três cavalheiros. Sem venda, mordaça ou corda alguma, nota-se perfeitamente a identidade da refém. É Leila.
"Se...Senhor" gagueja um dos moços ", viu que não sofreu nenhum arranhão? Tomamos o maior cuidado com ela".
"Bom trabalho. Foi muito bom pra vocês que a minha filha tenha chegado ilesa em casa. Caso contrário, vocês simplesmente não viveriam para verem o fim desse dia" e dá uma piscadinha com um dos olhos, sorri e pega a filha em seus braços.
Ao entrar no saguão do prédio carregando a garota, todos os trabalhadores param e ficam curiosos. O pai de Leila chama o elevador, vira para todos, que assustam e voltam a trabalhar normalmente, e diz em alto e bom tom: "Ela está bem, apenas voltou muito cansada da viajem que não resistiu e dormiu. Amanhã mesmo ela estará normal. Obrigado pela preocupação de todos". Um tipo de sino toca e a porta do elevador se abrem. Ele aperta o botão C (de cobertura) e sobe com Leila em seus braços.
Na periferia da cidade, Renato com raiva "escorrendo de seu rosto", corre por entre as pessoas em direção à prefeitura, mas nem sinal de Esdras. Ao chegar num cruzamento, nem espera o sinal fechar para os carros, vai correndo por entre eles, pulando como um macaco para desviar dos carros que tentam frear mas não conseguem parar antes de chegar no Renato. Lágrimas voam de seu rosto enquanto pula, corre e desvia dos obstáculos.
Ao virar numa esquina, parado nela está Esdras, que o segura e grita com ele. "Calma! Assim você acabará morrendo e não poderá fazer nada pra salvá-la. Vamos conseguir, basta paciência". Renato abaixa a cabeça e morde um dos lábios. Esdras, com um movimento de mão ergue a cabeça dele. "Venha, vamos pegar o metrô, é mais rápido e seguro!". Renato faz um sinal de positivo com a cabeça e desce as escadas.
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