sábado, 11 de agosto de 2012

16 - Depoimento


  Leila está no seu quarto, sentada na sua cama junta com uma das empregadas de seu pai. Ele saiu faz poucos segundos e em tão pouco tempo a expressão facial de Leila mudou tão drasticamente.
  "Não quer me contar alguma coisa?" perguntou a mulher.
  Leila abaixa a cabeça, fecha bem forte os olhos e começa a chorar. A mulher a abraça para tentar consola-la. Com a voz falhando por causa do choro, Leila tenta pronunciar as primeiras palavras. "Não sei se sabe, mas ele é um bruxo, um feiticeiro. No dia que eu fugi, eu tinha escutado que ele queria me usar de sacrifício para alguma coisa, eu não sei, não consigo me lembrar direito o que é, só sei que o que só me restava era fugir. Quando acordei aqui, ele me veio com uma conversa fiada que estava sendo irônico ou algo assim. Não acreditei muito, a mentira estava bem à mostra na cara dele".
   "Nossa!" a mulher ficou espantada com a notícia, principalmente pelo fato de que seu patrão é um bruxo. "E o que aconteceu nesse tempo todo? Você ficou uns três meses fora!".
   Ela deu de ombros, como se não importasse. Leila se ajustou na cama, pôs as mãos sobre os joelhos e respirou fundo. "Bem, a princípio, corri. Peguei a minha mochila do colégio, que por acaso estava com uma blusinha minha e a minha carteira, e fui até a estação de ônibus mais próxima. Lá, escolhi a que tinha a partida mais próxima, queria ir embora o mais rápido possível. Acabei indo para uma cidadezinha chamada Águas de Lindoia e fiquei por lá esse tempo todo. Fiquei trabalhando num hotel lá o resto do tempo. Num dia, um homem bem pequeno, um anão mesmo se hospedou lá. Quando ele me viu, me cumprimentou e puxou conversa comigo. Ao desenrolar do assunto, ele perguntou se eu era filha do Doutor Ricardo. De acordo com ele, eu era muito igual a ele. Nisso, ele perguntou se eu não queria sair pra conversar, mas eu tinha serviços a fazer, então recusei. Nisso, todo dia ele insistia, até que, em um dado momento, ele me chamou no quarto dele. Ele enlouqueceu, perdeu a paciência. Aí ele abriu a mala dele. Tinha um tipo de porta lá. Dela, saíram muitos bichinhos estranhos, eram duendes. Me perseguiram por muito tempo".
   "Espera, você disse 'duendes'?

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