sábado, 18 de agosto de 2012

17 - Ventos líricos

  Em Londres, algo muito estranho acontece: um eclipse sobrenatural, diferente de todos os outros. Minutos angustiantes se passam para Renato e Esdras. Todos olham sem piscar, não sabendo se ficam com medo ou admirados com o ocorrido. De repente, uma chuva começa a cair levemente, molhando a calçada, as pessoas. A água se infiltra por entre os paralelepípedos da rua. Uma chuva fina, porém pesada e negra. Ao sentir as totas tocarem o seu corpo, Esdras grita e puxa Renato como num reflexo. "Vamos!" e os dois começam a correr em direção ao grande relógio londrino.
  "O que é isso?" perguntou Renato.
  "Ela é conhecida como Moon tear. É uma chuva negra que só ocorre quando um eclipse é criado".
  "Mas eu já presenciei um eclipse e isso não aconteceu. Como pode...?"
  "Eu disse criado. O que você viu aconteceu. A diferença é que, quando criam, a natureza inteira se muda, os mares, tudo perde seu padrão, e apenas as fadas conseguem trazer tudo à normalidade. A questão é que essa Moon Tear é perigosa para certas pessoas, pois é como se fosse o Tato da lua. Se eu estiver certo, os venatores que fizeram isso. Se for, temos que nos preparar para o pior. Enfim, fique alerta".
  Eles correram por cinco quarteirões até encontrarem uma padaria aberta para se esconderem. "Estaremos a salvo por ora". E numa mesa os dois sentaram. Ambos pediram um café. "O que pode acontecer?" perguntou Renato. Esdras juntou as mãos, colocou-as sobre a mesa redonda, se encurvou em direção ao jovem e o olhou fixamente. "Digamos que você morre. Da lua virá uma espécie de raio negro, que te queima com o menor dos toques. Mas eles não querem te matar... ainda. Você é muito importante para eles, só não sei para o que, mas é".
  "E por que então eles criaram esse eclipse?"
  "Para nos atrasar. Eles sabem que só as irmãs podem fazer o destino mudar, até mesmo da Leila. Eles sabem onde ela está, então fizeram isso para que não conseguamos encontrá-las a tempo. Só não sei como chegaremos ao Big-Ben sem sermos desintegrados".
  O café chegou. O cheiro daquele líquido negro subiu pelas narinas. O doce aroma relaxou-os por um breve momento. Os olhos de Renato se fecharam, um sorriso tímido se abriu em seu rosto. "Já sei, Esdras, vamos nos disfarçar. Se ele quer apenas nos atrasar ou nos matar se for preciso, vamos nos disfarçar. Ele não pode nos matar se não souberem que somos nós, certo?". O mesmo sorriso invadiu a face de Esdras.

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