"Renato? Renato?"... "RENATO!!"
É só o Esdras chamando, tentando trazer Renato de volta a realidade. Aquele beijo colocou-o em transe, um estado hipnótico que fazia com que Leila penetrasse e tomasse conta de toda a mente dele.
Após Esdras ter trazido Renato de volta a realidade, eles foram para casa, porém, não como o de costume. Eles foram a pé, mas Renato parecia não querer conversa, apenas colocou o fone de ouvido e foi para o apartamento desligado, novamente, do mundo. E não importava por onde passava e nem a música que tocava, a única coisa que ele pensava era nela, aquela doce fada que o enfeitiçou com um beijo. Quase três horas se passaram até que ele chegasse no prédio. Cumprimentou o porteiro e subiu.
Ao chegar no apartamento, entrou, trancou a porta, e se jogou no sofá. Olhando para o teto, sonhava acordado, sonhava com ela sem ao menos piscar. Se isso não é estar apaixonado, eu, sinceramente, não sei o que é.
A noite chegou, e Renato permaneceu imóvel até agora. Acordado a noite toda, na mesma posição e pensando, o tempo todo, em apenas uma coisa... Não! Em apenas uma pessoa: LEILA!! Pensando naqueles olhos brilhantes, hipnotizantes e profundos que são, pensando na pele macia, na boca que lhe beijara, nas mãos que o tocara... Pensando NELA, Até que adormecera, adormecera com um sorriso no rosto.
Renato se via numa floresta, se via sozinho na penumbra, mas feliz, por que sabia que não estava sozinho, mesmo os seus olhos dizendo o contrário. E começou a andar. Andava por entre as árvores até encontrar-se num lago, lago aquele que tinha uma água azul, que refletia como espelho a sua face, e que permanecia imóvel como o gelo. Renato se via maravilhado, olhava ao redor, mas só se concentrava naquela água. De repente ele avista pequenos focos de luz como se fossem vaga-lumes, mas ele tinha a certeza de que não era. O que seria então? Fadas? Impossível. Mas, acredite se quiser, o impossível aconteceu. Uma dessas luzes se aproximou-se de Renato e, como mágica, puxou-o até o centro do lago. Ele foi andando sobre a água que, a cada passo, formava pequenas ondas circulares. Quando ele chegou no centro, todas aquelas luzes começaram a girar ao redor dele, até que, aos poucos, alguém começou a surgir como fumaça. Parecia uma garota. Era uma garota. Era Leila.
Renato fechou os olhos. Mas quando abriu, se viu no nada, sem nada nem ninguém ao seu redor. "Leila!!' ele gritou. E gritou mais fezes cada vez mais alto e cada vez com mais força, até que caiu de joelhos, chorando e sussurrando "eu te amo".
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