sábado, 1 de setembro de 2012

19 - A procura de um destino

  Londres, começo de tarde. Um eclipse estranho está no céu londrino enquanto uma chuva fina cai sobre as cabeças daqueles que não se importam em andar na rua nessas condições. Apaixonados, desesperados, curiosos, indiferentes. São esses os tipos de pessoas que não se importam em andar na rua nessas condições. No décimo-terceiro andar, um casal está em uma relação de amor e afeto. No prédio vizinho, no primeiro andar, um casal está brigando, com certeza, por um motivo banal. No terceiro, uma garota com headphones toca guitarra e dança. Na cobertura, dois amigos bêbados brincam na grade de proteção jogando cerveja para baixo e vendo no que dá. Dois homens atravessam a rua, outros três, do outro lado do quarteirão, três pessoas conversam e riem. Na porta do hotel, uma mulher segura várias sacolas de compras. Em um beco, moradores de rua tentam se esquentar.
  "Sejamos rápidos, Renato, antes que nos descubram". Disse Esdras que anda a passos largos sob um guarda-chuva. Apesar da situação, o barulho das gotas no tecido sobre as cabeças chega a ser calmante. Ao menos ameniza a pressão.
  No meio do percurso, um homem que caminha em um sentido contrário parece desconfiado, preocupado com algo, mas Esdras e Renato o ignoram e vão direto ao Big-Ben. O estranho entra num estabelecimento, aquele mesmo em que os dois estavam.
  Ele está nervoso, revira mesa por mesa jogando-as para o alto. Os poucos clientes presentes estão assustados. Vidros se quebram no chão e o homem, parado, grita, esperneia com muita raiva. "ONDE ESTÃO VOCÊS, DESGRAÇADOS?!?!? Porra, Vocês não podem ter sumido assim do nada! Não pode ser". Ele soca a parede mais próxima. Apesar de um físico aparentemente não muito forte, a parede quase é atravessada pelo murro. Rachaduras aparecem na parede, uma poeira cinza invade o local, o chão ao redor dele está todo coberto pelo pó e pequenas pedras, pedaços de concreto.
  A alguns metros dali, Renato escuta o barulho de gritos e vira-se para ver o que poderia ser. Ao olhar para trás, Esdras também olha com curiosidade. "Corre" disse ele e os dois começaram a correr. "Não pode ser. Como?"
  "Quem é ele, Esdras?"
  "Lúcio. Um senhor do destino renegado. Ele estava na prisão mais bem guardada do universo. A prisão de Tártaros. É lá que ficam os criminosos mais perigosos dos universos. Ele foi para lá por causa que ele sabia como criar os destinos não só dos humanos, mas nosso também. Nós, os senhores do destino, somos os únicos que mudamos os destinos de todos, menos os nossos. Como vocês, temos destinos, mas há uma parte de nossa vida que o destino não haje, e é lá que ele trabalhou para descobrir. O destino define as pessoas que conhecemos, as que amamos, enfim, você entendeu. Fazemos com que ocorra. Como? Bem, isso o destino não se intromete. Agora vamos, entre logo antes que ele nos descubra". E os dois entraram na torre do relógio.

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