sábado, 8 de setembro de 2012

20 - Ele

  Maria estava olhando uma loja de sapatos no shopping enquanto Leila estava na praça de alimentação esperando-a.
  "Você não vai comer?" perguntou Maria enquanto chegava e sentava.
  "Não não. To sem fome" disse sem desviar o olhar profundo e perdido em pensamentos infinitos e distantes.
  Maria senta-se junto de Leila, deixa as compras em uma cadeira ao lado e inclina-se para tentar puxar conversa. Mas era obvio: não havia assunto algum para conversar. E ficaram assim, minutos quietas, apenas ouvindo os barulhos dos passos e conversar alheias shopping afora. Porém, logo Maria percebeu no que se tratava e foi logo ensaiando as primeiras palavras. Apenas mexia os lábios, como se estivesse fazendo testes antes de realmente falar.
  "Qual o nome dele?". Pronto, saíram as palavras que estavam loucas para viajarem até o ouvido da jovem. Pronto, veio logo o único assunto que pairava na mente de Leila: Renato! Não queria dizer nada pois sabia a repercussão que geraria falar dele, falar de quem é ele, o que passaram, o que viveram... O que irão viver.
  Leila dá de ombros. Se faz de desentendida. Porém, as maçãs-do-rosto rosadas de um momento para o outro revelam outra resposta. Encabulada, começa a olhar em volta a procura de conhecidos, mas por sorte (ou talvez azar), nada nem ninguém fora encontrado. Logo, ficando ainda mais vermelha, começa a fuçar nas sacolas, perguntando o que havia sido comprado. Nada ocorrera como o esperado. Maria insistia em perguntar 'quem seria o homem que fitava o coração da bela moça?'. E ficava cada vez mais envergonhada, até que, toda encolhida de vergonha e timidez, Leila solta um gemido, haveria ela soprado fracamente o nome dele? Sim. Ela fala fracamente "Renato" e logo treme toda.
  Maria, mesmo velhinha, escuta perfeitamente a voz rouca que havia passado pelos lábios da moça. Logo, sorri. Por dentro, ela faz uma festa, mas por fora... Bem, faz outra festa. Uma alegria radiante parece ter tirado toda a timidez de Leila. "Percebi logo que estava apaixonada. Sabia pois vi esse olhar. Ah! esse olhar! Tão puro e verdadeiro que palavra nenhuma consegue explicar, muito menos enganar aqueles que conhecem o olhar de um amor jovem. É o mesmo olhar que sua mãe tinha pelo seu pai. Ela sempre chegava em casa com aquele olhar, e quando descobri, ela me contava tudo, todos os detalhes do dia dela com ele. Os dois se amavam. Era, definitivamente, o casal perfeito".
  Ao se lembrar da mãe ao ouvir essas palavras, Leila derrama uma lágrima quase que imperceptível do canto do olho. Ao mesmo tempo ela sorri. "Lembrar dela me acalma. Sinto como se ela viesse e me abraçasse novamente".

[Silêncio]


















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