O ambiente está escuro. O silêncio toma conta. Feixes de luz lá no alto não chegam ao chão, formam uma faixa de claridade das brechas às paredes opostas. Ao enxergar essa luz, via-se o quão empoeirado estava o local. O cheiro de mofo dava enjoos em Renato.
"Que fedor é esse?". Ele leva a mão coberta pela manga da camisa para tentar não cheirar. Ó tentativa falha a dele.
"Esqueça e concentre-se. Apesar do silêncio, somos observados".
Renato olha para cima e vê a escada em espiral ascendente. Enxerga a claridade contrastante à escuridão. "Esdras, não estava escuro lá fora? Por que será então que vemos essa claridade?"
"Estamos em um lugar mágico. Essas frestas peneiram tudo, até mesmo a luz. Apenas aquilo que for realmente puro poderá passar, deixando tudo aquilo que é impuro para trás" e continuaram subindo. Metros e metros para cima em um breu jamais visto.
Vários minutos se passaram até que os dois chegassem ao topo. É lá que fica todo o sistema do relógio. Várias engrenagens girando, cada um com o seu tempo, mas todos perfeitamente sincronizados. Um andaime é visto no centro, um caminho para que possa chegar às engrenagens. Abaixo, apenas um "abismo" direto até o chão. Do outro lado do caminho, há três moças que, aparentemente, estão flutuando. Não via-se os pés delas. Vestiam todas um vestido branco com mangas longas, um branco jamais visto, mangas mais longas que os próprios braços. Longos cabelos e uma face linda. Todas três emitiam um brilho não muito intenso, mas mágico, sobrenatural.
"Espere aqui" sussurrou Esdras. Ele deu alguns passos em direção às irmãs e ajoelhou-se a poucos metros delas. "Perdão, mestras, pela invasão, mas foi um caso de urgência de protegido".
"Prossiga!" disse a do meio. A voz dela era tão doce, suave e delicada, porém poderosa e cheia de vida. Aos ouvidos de um humano comum, chega a ser hipnotizante.
"Espere aqui" sussurrou Esdras. Ele deu alguns passos em direção às irmãs e ajoelhou-se a poucos metros delas. "Perdão, mestras, pela invasão, mas foi um caso de urgência de protegido".
"Prossiga!" disse a do meio. A voz dela era tão doce, suave e delicada, porém poderosa e cheia de vida. Aos ouvidos de um humano comum, chega a ser hipnotizante.
"A alguns meses atrás, o meu protegido começou a correr grande perigo por forças malignas. Vimos que Lúcio está atrás dele. Outros que estão são os Venatores. Há também um homem misterioso que não conhecemos e nem vimos, mas deve sera origem dessas perseguições. Quero, digo, queremos saber se podem fazer algo por nós".
As três se entreolharam. Ficaram alguns segundos imóveis, como se estivessem conversando. O silêncio passou a torturá-los. Insegurança e medo do incerto cobrem seus corações.
Torturantes segundos se passaram até que veio, como num estalo, a resposta friamente dada: "Ajudar-lhe-eis".
Nenhum comentário:
Postar um comentário