Surpreso, Renato fica imóvel ao olhar para trás e perceber a presença de alguém, uma garota com olhos que brilham com inocência e esperança, e um sorriso leve, mas meigo e sincero. Seus longos cabelos levemente ondulados e louros brilham com a luz das lâmpadas da sala e do corredor. Os olhos castanhos traduzem a pureza da alma e o acanhamento e timidez da carne. Os seios não muito grandes, mas também não muito pequenos são pressionados pela parede e por um dos braços, e o sorriso, Ah! o sorriso, os dentes pouco a mostra trazem calma para qualquer um.
Alguns segundos se passaram no extremo silêncio, apenas os olhares cruzados e o zumbido das lâmpadas como trilha sonora do momento estão presentes. Renato dá uma leve virada no olhar à procura de Esdras, mas não o encontra. Uma gota de suor lhe desce pelo canto da testa até chegar ao queixo, pescoço e paras na gola da camiseta do uniforme.
"O-oi". É ele que quebra o silêncio com uma fala gaguejada. E "Oi", ela responde. A passos lentos e curtos, como se estivesse com medo, a moça vai gradativamente aproximando-se de Renato, porém, vai chegando com uma postura firme, coluna ereta, mas com o meio do dedo indicados tocando o lábio inferior, como um sinal de timidez mesmo.
Os pés arrastam no chão enquanto Renato continua o diálogo. "Leila é o seu nome, certo?"
"Isso!" A timidez se fora. O sorriso está bem mais exposto e ela chega mais rapidamente ao lado dele e aguacha para ajudá-lo a recolher os pertences. "Vim lhe dizer que fiquei surpresa com o seu comentário na ultima aula. Eu jamais havia percebido como você era. Via apenas um garoto tímido que chegava sozinho e assim permanecia até que, ao fim de cada manhã, era sempre o último a sair da sala. Fiquei mais atenta nas suas ações nos últimos dois dias, mas hoje fiquei intrigada ao escutar o seu sussurro na aula de redação. Gostaria de conversar, se não se importa. O que vai fazer hoje a tarde?"
"Bem..." Já se sentindo mais a vontade, senta no chão, abre um sorriso, tira o capuz da cabeça e esquece dos materiais. "Planejava ficar estudando. Você quer... espera, acho melhor não."
"O que?"
"Iria te chamar lá para casa para conversar, mas há dois problemas: Seus pais de virem te buscar e eu que vou de ônibus, fico mais de uma hora dentro dele".
"Você está me convidando para ir na sua casa?"
"Bem..."
"Eu adoraria! Não tem nenhuma problema, já que eu iria ficar no colégio mesmo e não vejo problema em andar de ônibus. Se me convidou eu aceito, caso contrário, combinamos de sair um outro dia, talvez".
"Então vamos. Dá cinco minutos até o ponto e eu ainda tenho que terminar de arrumar as minhas coisas. O ônibus chegará no meu ponto daqui a vinte minutos".
E assim foi. Com doze minutos de adiantamento, os dois chegaram ao ponto de ônibus. A conversa flui como um rio até a chegada da condução. Lá dentro, por sorte, haviam dois lugares apenas. E lá se sentaram, um do lado do outro. E, como já era de se esperar, a conversa não parou em momento nenhum, mas nada era sobre assuntos muito pessoais.
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