sábado, 2 de março de 2013

45 - Sob um belo luar

  Por fim, Renato se abriu. Finalmente ele tira um peso de seus ombros.
  No restaurante, o casal conversa de tudo. Ela, corada, porém, muito feliz. Feliz por estar com a pessoa que ela ama. Feliz por estar com quem faz o seu coração palpitar apenas ao vê-lo. Enfim, feliz. Felizes.
  Ambos conversam sobre seus passados, mas de um jeito diferente, de um jeito voltado aos seus sentimentos. É, caros leitores, não era só o Renato que estava apaixonado pela Leila há tempos, ela também o desejava. Desejava-o desde o dia em que se conheceram, mas a vergonha dela o impedia de dizer o que sentia. Isso até hoje, é claro. Foi um peso enorme retirado do ombro dos dois).
  O tempo passou voando. Eles comeram, riram, conversaram sobre tudo. Até que...
  "Leila!". Ouve-se uma voz gritando de um carro. Era o pai dela. "Vamos indo! Está tarde já". Ela se levanta, ele também, mas um pouco desajeitado, como de costume.
  "Te vejo amanhã?"
  "É claro!" Ela deixa escapar um riso tímido. Que sorriso lindo é aquele. Ela se estica e dá um beijo no rosto dele e vai. Entra no carro e, antes de sair, o pai dirige a palavra ao Renato. "Ei! Garoto! Você quer carona? Já é tarde. É muito perigoso você andar sozinho São Paulo a fora. Pode entrar, eu te dou uma carona".
  Renato, imóvel e sem nem ao menos conseguir esboçar uma reação, acaba aceitando, mas, para variar, sem graça.
  Já dentro do carro, Renato agradece a gentileza do pai e diz o endereço de onde mora.
  Cinco minutos se passaram. Cinco minutos com um silêncio aterrorizante. Mas, para renato, aqueles poucos minutos pareciam horas e horas e horas... Mas o pai dela se arrisca a começar uma conversa. "Então... Renato o seu nome... Estou certo?".
  "Sim sim. Perdão, mas eu não sei o seu nome".
  "Fábio. Meu nome é Fábio. Prazer em conhecê-lo. Você é daqui mesmo?".
  "Sou daqui sim. Nunca saí daqui, com exceção de uns dois natais que eu passei lá em Águas de Lindoia. Conhece?"
  "Só de nome mesmo. Mas... O que os seus pais fazem? Digo... Eles trabalham com o que?"
  "Meus pais faleceram quando eu tinha poucos anos de vida. Desde então, o meu tio cuida de mim. Porém, há pouco tempo, eu moro sozinho, ele apenas me banca".
  Fábio fica sem graça e envergonhado. "S-sinto muito pelos seus pais...".
  "Não se preocupe... Já que eu não cheguei a conhece-los muito bem, não me preocupo muito quando falam deles".
  "Mas... E o seu tio... Ele..."
  "Ele é militar. Ganha o bastante para me manter e mante-lo com tranquilidade".
  "Entendo... Bem, parece que chegamos. Qualquer coisa, se precisar de alguma coisa, pode ligar para mim, digo, para a Leila. Não tem problema".
  "Obrigado. Obrigado também pela carona e desculpa o 'desvio de rota' que fiz você tomar".
  "Problema nenhuma. Boa noite. A gente se vê".
  A Leila, que se manteve quieta a viajem toda, se despede de Renato mandando-lhe um beijo e uma piscadinha.

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