sábado, 13 de abril de 2013

51 - Coloquem mais um prato na mesa

  Mais tarde, próximo ao apartamento de Leila e sua família, o nosso casal chega todo arrumado. Ele vestindo uma camisa branca, calça social e All Star pretos. Ela, usando uma saia meio longa azul e uma blusa de manga curta beje. Lindos os dois. Na portaria, esperando o elevador chegar, ela arruma a gola dele. "Tem certeza que não tem problema? Sei lá, não acho que vai dar muito certo".
  "Chega de tolice, Re, meus pais te amam, acharam você uma gracinha. Por que teria algum problema? Você só está nervoso. Procure relaxar um pouco, tudo bem?".
  "Como quiser. Vamos, o elevador chegou". Eles entraram, ela apertou o botão do 12° andar e o abraçou.
  Renato fecha os olhos, esperando pelo pior desta noite. Ele respira fundo. Claramente tenso, não dá para esconder. Leila percebe, o olha, puxa-o pelo pescoço e o beija. "Não se preocupe, eu estarei contigo". De certa forma, isso o acalmou um pouco. O elevador chega, o coração palpita mais intensamente, o suor frio escorre pelas suas mãos, mãos seguradas pela Leila. Ela pega a chave da casa, abre a porta e, antes mesmo de entrar, toca a campainha, avisando a todos lá dentro de sua chegada. "Oi família!!!! Trouxe um presentinho aqui comigo, espero que não tenha nenhum problema".
  Os pais dela estão na sala, sentados juntos a dois homens e três mulheres. Arriscaria dizer que são duas tias, um tio, um avô e uma avó. Os pais, a princípio, sorriem. Mas, ao ver Renato, vem aquele sorriso amarelo. O casal se olha, e se faz de amigável, mas são péssimos atores. Está claro que a surpresa que a filha deles fez nesta noite não fora muito agradável para eles, mas eles parecem tentar disfarçar isso.
  A enorme árvore no canto da sacada está belamente enfeitada e iluminada, típica de uma noite de natal. E presentes e mais presentes sob ela. Caixas de todas as formas, de todos os tamanhos, de todas as cores. Pela quantidade, deve vir mais gente e algumas crianças também.
  Enquanto Renato está imóvel e tímido na frente da porta, Leila cumprimenta todos os seus parentes lá presentes. Conversa vai conversa vem, ela vai em direção ao Renato, puxa-o pelo braço e o apresenta para todos. "Gente, esse é o meu belo príncipe encantado. Renato. Ele estuda comigo". Ele, timidamente, acena para todos. Leila sussurra no ouvido dele apontando discretamente para cada parente. "Aquela ali é a minha tia Rute, meu tio John, minha outra tia Laura, meu avo Bernardo e a minha avó Nina. Elas acharam você um cara bonito. A primeira vista, gostaram de você. Procure relaxar, tudo bem?". Ele apenas faz um movimento afirmativo com a cabeça.
  Na cozinha, Fábio e Cristina estão conversando.
  "O que fazemos?" disse ele. "Ela nos pegou de surpresa! Não quero magoá-lo, mas acho que não foi uma boa ideia dela".
  "Sei o que está pensando. Mas não podemos fazer isso com ele. Vamos fingir que foi uma visita agradável. Aí ele sai feliz e pronto". Ele concordou e voltaram para a sala.
  Leila puxa Renato até os quartos para que ele conheça os primos dela. Apenas dois chegaram, mas virão mais. Renato continua sem graça, principalmente depois de ter reparado o olhar torto que recebeu dos pais de Leila. Aquela imagem não lhe saía da cabeça. Os dois se olhando, provavelmente pensando "o que esse garoto está fazendo aqui?", ou coisa pior. 

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