sábado, 20 de abril de 2013

52 - (in)feliz natal

  No quarto dela, Rodolfo e Júlia (nome dos primos) estão brincando sobre a cama de Leila. Ela chega e se junta a eles na brincadeira. Renato apenas aproveita observando, sentado na cama, os três brincarem. Ele sorri ao ver a inocência e energia das crianças.
  Após algumas horas, e alguns familiares a mais presentes, a enorme mesa posta e o cheiro da comida exalando no apartamento todo, Cristina grita o nome da filha, chamando-a para comer. "Vamos, Renato, a minha mãe está chamando" Ela vai logo atrás dos primos dela, apenas Renato, de cabeça meio baixa e pensativo, vai atrás dela.
  À mesa, todos organizadamente sentados, ainda não começam a comer, apenas esperando a oração que a mãe de Leila fará agradecendo a família, a união e o alimento. Renato ora junto, mas continua pensativo. O que estaria passando na cabeça dele? Seria aquela mesma cena dos pais dela olhando torto para ele com um sorriso amarelo? Isso continua martelando em sua cabeça. Enquanto isso, Leila vira-se para sua mãe. "Por acaso o Renato poderia dormir aqui hoje? Afinal, vai ficar muito tarde para ele voltar para casa, e não há ninguém na casa dele".
   Cristina olha pensativa, e diz que irá perguntar ao pai dela. "Tudo bem" disse a filha. Logo em seguida, Leila diz ao Renato sobre a proposta que fez à mãe.
  "Não sei, amor... Eu acho que os seus pais não gostaram de mim".
  "Por que diz isso?"
  "Desde o momento que eu cheguei, os seus pais olharam tortos para mim com um sorriso amarelo, o seu pai nem sequer esticou a mão para me cumprimentar, sem contar que eles ficam sussurrando entre si toda ora olhando para mim. Sei lá, acho que não foi uma surpresa muito agradável a minha presença".
  Ela apenas olha. Pode ser coisa da cabeça dele, pode não ser.
  Alguns minutos depois, após a ceia de natal, todos se juntaram na sala para a cerimônia de troca de presentes. Leila se levanta e vai falar com a mãe que a tinha chamado. "Filha, olha, eu e seu pai conversamos e, se é o que você quer, tudo bem de ele dormir aqui. Deixamos até ficar na sua cama, desde que não façam nada. Estaremos de olho". Leila abre um sorriso de orelha a orelha, um sorriso maravilhoso.
  Ela pula nos braços da mãe em um abraço apertado de agradecimento. "Obrigada mãe! Muito obrigada! Estou super feliz! Obrigada mesmo, mãe!".
  Ela sai da cozinha e vai à sala a procura de Renato. "Espera só até eu contar para ele! E pensar que ele achava que os meus pais não tinham gostado dele! Ele vai ficar surpreso".
  Na porta do quarto da Leila, Renato fora chamado pelo Fábio para uma conversa em particular.
  "Como a Leila já deve ter te contado, você foi convidado por ela para dormir aqui, mas precisa da nossa permissão. Nós deixamos. Mas olha aqui, garoto, não é por que nós sentimos pena de você e nem nada, mas por causa da felicidade da nossa filha. Eu dou liberdade para vocês, mas é só para vê-la feliz, não tem nada a ver com você".
  Renato ouviu tudo calado com a expressão séria. Sem sorrir, sem chorar, sem demonstrar emoção alguma, apenas escutando as amargas palavras de um homem mau por natureza. Ao fundo estava Leila, apenas vendo sem ser vista a conversa dos dois. Espantada, chocada com o que via. Não escutou, mas imaginou o que estava sendo dito. Renato apenas disse "Sei quando não sou bem-vindo", se virou e foi, passando pelas pessoas como se fossem árvores, apenas desviando, partindo. "Renato, espera" disse Leila, mas sem ser ouvida. Ele continuou andando como se nada tivera acontecido depois da tal conversa. Abriu a porta e desceu. Leila ficou imóvel frente à porta fechada. Espantada com o que vira. Uma lágrima escorreu de seu rosto, os lábios são mordidos, a dor que sentira agora está completamente exposto em seu rosto.

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