sábado, 15 de junho de 2013

60 - Pressentimento

  No dia seguinte, logo de manhã, enquanto Renato se troca para ir ao shopping com a Leila, ele se perde em seus pensamentos, como de costume, fugindo da realidade. Se perde pensando nela, no que farão, no que já viveram juntos... "Você não acha estranho tudo isso?". Perguntou Esdras.
  "O que quer dizer?"
  "O que eu quero dizer, senhor Renato, é que no seu celular apareceu que as suas mensagens foram entregues, também mostrou que as chamadas foram completadas e tocou, por muito tempo, até que caísse na caixa postal. Eu posso não ser um gênio, mas você não acha tudo isso muito estranho? Não passou pela sua cabeça de que a Leila estaria te ignorando?"
  Renato pensou, parado, em cada palavra dita pelo seu amigo. Imóvel, não conseguira acreditar que Leila estaria mentindo para ele. Não poderia ser verdade, não depois de tudo que aconteceu. Depois de tudo que viveram e planejaram. Não poderia estar acontecendo isso. Ele não acreditava. Não queria acreditar.
  Esdras, logo atrás dele, olha-o, torcendo para que o seu próprio palpite esteja errado, para que Renato não sofra. Ele coloca uma das mãos no ombro dele. "Só quero lhe dizer uma coisa. Não importa o que aconteça, eu estarei sempre, sempre ao seu lado".
  Renato levanta a cabeça e olha bem nos olhos de Esdras. "Sabe, Esdras, ao mesmo tempo que eu to feliz por saber que tenho-te ao meu lado... Eu fico triste, pois, falando assim, sinto que algo de ruim está para acontecer. Não sei o que, não sei quando".

Nenhum comentário:

Postar um comentário