sexta-feira, 9 de maio de 2014

Momentos tristes sem ela - Parte Sete

  Boa noite. Ainda por aqui? Achei que não viria mais. Bem... Ainda quer saber da minha vida?
  Está bem. Vamos lá. Continuarei no dia seguinte... O do meu casamento.

  Devo ter acordado umas quatro, cinco vezes. Talvez mais. Não por nervosismo, mas por medo. Medo de algo que estava ao meu redor. Devem ser os meus demônios me parabenizando pela minha conquista. De manhã, cansei de tentar dormir e fui para a cozinha. O relógio sobre a mesa marcava 6:15 e eu lá, olhando para uma xícara de café sem saber o que fazer, sem saber o que dizer para a minha amada quando ela acordar.
  Nada vinha na minha mente. Duas horas depois ela desce. Curiosa por eu não estar na cama.
  -Me desculpe por ontem a noite - Disse eu.
  -Tudo bem. Eu te entendo. Andei pensando nessa noite sobre isso que nem dormi direito. Acho que não agi certo quando você chegou e estranhou a presença dele. Apesar de tudo, não dei muita bola pra ele. Então não se preocupe.
  Fiquei quieto.
  Logo depois, decidi sair. Dar uma volta na rua. Minha mente voava. Pensava se era o certo a ser feito. Se devia mesmo me casar. Olhei meu relógio, e ele me avisa que são 11:37. Às 17 irei subir ao altar e selarei a minha decisão. Seria essa a tão falada "Depressão pré-nupcial"? Não gostei. Percebi que andei tanto que acabei por voltar para a praça em frente à minha casa. Devia ter parado aí. Não, eu tinha que duvidar. Eu tinha que não voltar.
  Cheguei em casa meia hora antes de me casar. Fui ao bar que tenho em casa e preparei algo para mim. Algo forte. Não devia, mas fiz. Bebia enquanto me arrumava para a cerimônia. Até ficar pronto, foram vinte minutos e dois copos de algo que inventei na ora. Algo com tequila, curaçau, licor e suco de morango. Até que estava gostoso, mas é chegado a hora de ir. Afinal, tinha que me casar. O que seria de uma cerimônia sem alguns minutos atrasados.
  Decidi ir dirigindo. "Cinco minutos de carro não mata ninguém", eu pensei. Peguei as minhas chaves, entrei no carro, dei a partida, engatei a primeira e saí normalmente. Três quarteirões depois a minha vida mudou. Bati o meu esportivo na lateral de um carro que, até hoje, eu não sei qual é. Os danos não pareciam grandes, e não seria grande coisa se, naquele carro, não estivesse a minha linda noiva. Oh! Jade, me perdoe. Pelo amor de Deus, me perdoe. [Estou chorando].
  
[pouco tempo depois...]

  Bem, onde estava?
  Ah sim. Não me lembro de nada mais depois do acidente. A última coisa que me lembro era da minha pasta voando à minha direita e estourando o vidro. Já esteve em um acidente assim? Não é legal. Interessante, mas não legal. Parece que tudo fica em câmera lenta, você fica imóvel a mercê da inércia e fica vendo coisas e estilhaços voando à sua frente. Agoniante, eu diria.
  Acordei alguns instantes depois. Minha perna estava sangrando, mas nada de dor. Não senti nada. Olhei confuso ao meu redor, escutando apenas um zumbido e nada mais. Mesmo com a visão embaçada, eu decidi sair e ver o que realmente havia acontecido. O outro carro já fora guinchado para fora do local. Havia duas ambulâncias. Minha visão estava embaçada, mas via uma grande cruz vermelha num carro branco. Três viaturas de polícia e muitas, mas muitas pessoas ao redor. O que havia acontecido comigo? Não fazia ideia da gravidade da situação.
  Dois homens vieram me socorrer com uma maca pedindo, aparentemente, para que eu sentasse ou deitasse. Estava confuso ainda. O álcool ainda estava fazendo efeito no meu corpo. Me sentia meio tonto já quando perdi a consciência.
  Depois de algum tempo, não faço ideia quanto, acordei num hospital, onde haviam policiais ao meu redor. Horas deviam ter se passado, já não sentia mais o álcool em meu corpo. O zumbido se fora e a visão já estava clara. Seringas, soros, curativos e talas era, basicamente, tudo o que via em mim. Uma enfermeira veio ao meu encontro, devia ter visto que acordara. Não entendi o que disse, mas ela me respondia "Jade? Não sei. Não está aqui".
  Ao longe, vi três policiais e um médico conversando em particular. Olhavam muito para mim. Só poderiam estar falando de mim.
  Não devia ser coisa boa.
  Não era coisa boa.
  Atrás deles, vi uma mulher passando pela porta e vindo para a UTI, onde eu estava. Usava um chapéu elegante, óculos e lenço sobre o pescoço. Não identifiquei quem era até que.... Até que tirasse os óculos escuros. Jade.
  -Está tudo bem, amor?
  -Não sei ao certo. Meu corpo inteiro está meio que formigando, mas estou bem. Não estou sentindo dor. Estava preocupado com você. Perguntei aqui e ninguém sabia de você. Achei que estivesse naquele carro e, Deus me livre, tivesse morrido. Me aliviou agora. Você não tem ideia da alegria que você me trouxe agora.
  Ela abaixa a cabeça, fazendo com que a aba do chapéu cobrisse seus olhos. -Bem, amor.... Quanto a isso...
  A Jade tirou o chapéu e olhou para mim.
  Ela...
  
  Ela...

  [Sirene]
  [Guarda: Vamos, vagabundos, para as suas celas!!]

  Desculpa.... Semana que vem eu conto. [O Guarda me puxa pelo braço. Ainda gritando no meu ouvido. Cara chato]

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