segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Uma história sem título - Capítulo 10°

  Meses se passaram, as estações mudaram, as pessoas cresceram, amadureceram. Gustavo e Rebeca continuam juntos e se amando cada dia mais. Rebeca ainda mora com a prima e Gustavo sozinho. A banda se desfez. André e Bruno se mudaram com uma semana de diferença um do outro. Enquanto Bruno fora para a Inglaterra, André ficou no Brasil ainda, ele se mudou para São Paulo e nenhum dos dois imagina quando irá voltar (isso é, se forem voltar).
  É, enfim, natal. Gustavo ajuda Rebeca e a mãe dela nos preparativos para a ceia de natal.
  - Então, Gustavo, vai ficar mesmo para ceia? - Perguntou Paula, mãe de Rebeca.
  - Se a senhora me permitir, sim.
  - É claro. Você já é da família. Viemos para cá para poder te conhecer. Será um prazer tê-lo à mesa conosco.
  - Obrigado - Ele sorriu para ela, que retribuiu com outro sorriso ainda mais alegre.
  Mais tarde, quando, por fim, terminaram, eles sentaram todos na sala para conversar. Os pais dela perguntaram o que ele fazia, a idade, de onde vinha, um interrogatório sobre a vida dele.
  - Então, Gustavo, e seus pais? O que fazem?
  Nesse momento, a expressão alegre e tranquila dele fora deixando o seu corpo, dando lugar à tristeza e reflexão. Ele ficou quieto, abaixou a cabeça olhando para o tapete felpudo, suas mãos se juntaram e seus dedos ficaram tensos, ele apertou os seus lábios e tentou, sem sucesso, segurar uma gota que estava no canto do seu olho. Por fim, ele tomou coragem, recuperou o fôlego, levantou o rosto com confiança e disse, por fim:
  - Desculpem. A minha mãe faleceu quando eu tinha 16 anos, pouco tempo antes de eu entrar na faculdade. Ela teve uma parada cardio-respiratória repentina e, mesmo depois de levá-la ao hospital, ela não resistiu e nos deixou dois dias depois. Pegou todo mundo de surpresa. Ela era muito saudável com tudo. O meu pai, infelizmente, morreu num acidente de carro há dois meses, quase três. Ele estava parado no sinal, estreando um carro que ele tinha acabado de consertar, um carro perdeu o controle e bateu na porta do carro dele. A pancada foi muito forte e, por já ter uma certa idade, não resistiu aos ferimentos.
  Gustavo deixa escapar outra lágrima. Todos ficaram sentidos. O clima fora mudado drasticamente de alegria para melancolia, luto. Um silêncio ensurdecedor tomou conta do lugar, até que Gus decidiu voltar a falar.
  - Gente, não precisam ficar assim por minha causa. Aconteceu e pronto. Desculpem, não queria deixar a casa nesse clima. Principalmente nessa data. Se me derem licença, vou para a cozinha beber uma água - E saiu a passos leves e lentos em direção à cozinha, contrastando a cabeça erguida e confiante que ele exibia ao sair da sala.
  - E-eu vou tomar um banho - Gaguejou Paula - As visitas devem estar pra chegar.
  Rebeca pediu licença ao pai e à prima e saiu em silêncio também. O ambiente, mesmo assim, ficou pesado, deixando todos muito pensativos.
  Chegou ela à cozinha, Gustavo estava com um copo de água à sua frente e ele de costas para a cozinha. Rebeca chegou abraçando-o por trás e apoiando a sua cabeça nas costas dele. Gustavo não esboçou reação, ficou ali olhando fixo para o copo, sem mostrar sentimento algum. Nem alegria ou tristeza, ódio ou compaixão. Nada. Sua feição era de alguém que não tinha emoções. Lembrar do seu pai foi um golpe muito forte para ele.
  Nenhum dos dois falavam uma só palavra. Apoiado com os dois punhos serrados sobre a mesa e o copo cheio no meio, ele apertava ainda mais as suas mãos e também os lábios. Por fim, virou-se para Rebeca, abraçou-a, beijou-se a testa e apenas disse uma única palavra antes de sair pela porta.
  - Desculpa

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