Pouco depois das 20 horas daquele dia.
Rebeca e Gustavo estavam chegando na festa. Gustavo elegante como sempre. Rebeca mais linda como nunca. Desceu então ele e, antes que ela agisse, como um verdadeiro cavalheiro, Gus abriu a porta para a jovem moça e lhe deu a mão. - Me permite? - Disse ele olhando nos lindos olhos dela que refletiam as luzes da rua. Ela apenas sorriu, corou-se e, apoiando delicadamente a sua mão na dele, saiu finalmente do carro. Foram os dois para festa. Ela com o braço dado ao dele. Eles formam um lindo casal.
Entraram. Ele não conhecia ninguém lá dentro, realidade diferente de Rebeca, que a cada passo que dava via um conhecido diferente. A cada parada que faziam para conversar com algum amigo ou alguma amiga dela, Gustavo era apresentado.
Depois de muita conversa, Rebeca teve uma ideia.
- Ai, Gus.... Vamos dançar?
Ele a olhou pensativo, mas decidiu aceitar o convite. Ela ficou muito feliz, comemorou com tímidos movimentos e o puxou até a pista de dança.
Eles estavam se divertindo tanto. Num dado momento, vindo por trás de Gustavo, uma figura masculina não muito grande, mas que se fazia notar. Rebeca, então, o reconheceu, parou de dançar e chamou por ele.
- Oi Marcelo!!!
- Oi Marcelo!!!
- Rebeca? É você?
- Sou eu sim! Não sabia que estaria aqui!
- Umas alunas me chamaram para vir. Não vou ficar muito. Mas não custa nada se divertir um pouco.
Eles riram. Parado ao lado dela olhando com dúvidas para o homem que aparecera atrás dele e estava roubando a atenção de sua parceira, Gustavo não emite som algum, apenas fica olhando os dois.
- Ah, Marcelo, esse daqui é o Gustavo. Um "amigo" meu. Ele é jornalista.
- Prazer, Gustavo. Eu sou Marcelo. Sou um professor da faculdade. Ministro aula para Rebeca. Aliás, não sei se ela te contou, mas ajudei ela a encontrar a sala. Ela estava perdidinha na ora.
- Prazer, Marcelo. Eu já sabia dessa, ela me contou. Fico feliz que tenha ajudado ela a se localizar.
- Você faz jornalismo? Você se formou aonde?
- Fiz UnB. Me mudei para UDI há alguns anos. É uma ótima cidade.
- Meninos, eu já volto. Vou pegar uma bebida para mim. Fiquem conversando aí. - Rebeca saiu. Ela sabia que deveria deixar os dois sozinhos por um tempo. O ciúme na cara de ambos é gritante, porém, apenas os dois enciumados não perceberam.
- Então.... Gustavo. Você conhece a Rebeca há quanto tempo?
- Já fazem algumas semanas. Meses até. Conheci ela numa festa como essa.
- Ah sim... Bem, já vou indo. Estão me chamando ali. Até mais.
- Até....
Gus ficou sério enquanto Rebeca voltava com dois copos. Entregou um para ele e o questionou do paradeiro do seu professor.
- Ele disse que foi chamado. Não sei onde está, mas não deve estar longe. Saiu há poucos segundos.
Ela o olhou com um um sorriso de lado e bochechas cheias, uma expressão de desconfianças. Num segundo mesmo já mudou para uma expressão mais alegre e, segurando pelo braço, chamou-o - Vamos sair daqui. Vamos lá para fora.
Eles foram, então, para o quintal atrás da casa. Não tinha ninguém, porém, estava iluminado. Eles pararam de frente um para o outro a alguns metros da pequena piscina e iluminados apenas pelo luar e pelas duas lâmpadas próximas à porta. Ela passou as mãos sobre os ombros dele e entrelaçando os dedos por trás do pescoço dele. Rebeca o olhou bem nos olhos de cabeça erguida enquanto Gus segurava-a pela cintura.
- Você não ficou com ciúmes, não é, Gus?
- Ele a olhou com desdém, negando as palavras dela.
- Não mente para mim Gus. Estava na cara. - Ela pensou em falar que estava com a mesma cara do Marcelo. Dizer que ambos estavam com ciúmes, mas achou melhor deixar essa informação apenas na sua mente, pois a informação poderia não ser muito bem recebida por ele. - Ele é só o meu professor.
- Convenhamos, ele é bonito. Olhos azuis, jovem, cabelo da moda, boas roupas. Tá meio na cara o porquê as meninas o convidaram.
Rebeca entendeu o ponto de vista dele. Não negou a beleza do seu professor.
Sem uma palavra sequer, Rebeca se ergueu com os pés, aproximou-se do rosto de Gustavo, fechou os olhos e, antes que ele percebesse, seus lábios úmidos se tocaram. Em êxtase, um sentimento lhes subia à cabeça, o corpo estremeceu, seus corações bateram numa só frequência ritmada, dando o ritmo de uma canção perfeita que guiavam na dança dos seus espíritos enquanto seus corpos imóveis sentiam o calor um do outro, seus braços os traziam para mais perto, os copos no chão, derrubados pelos seus pés, nem sequer foram sentidos. No momento, não havia sentimento mais forte do que o deles a quilômetros de distância.
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